Regra de Loja

Os 13 Pontos das Boas Regras de uma Loja Simbólica

O conjunto de Lojas que estão sob a direcção do Soberano Santuário Hermético da Lusitânia tem duas características que as distinguem do panorama actual das lojas maçónicas. Em primeiro lugar, as Lojas estão distribuídas e organizadas pelo Sistema Cabalístico das Sefirotes, estando cada Loja sob a Influência da Força de uma Sephira. Isso explica porque nunca haverá nesta Estrutura Iniciática mais do que dez lojas, sendo a loja correspondente a Daath, a 11ª, o Templo do próprio Soberano Santuário Hermético da Lusitânia.

Uma segunda característica é que as Lojas têm o Dever Inalienável de patrocinar a realização do Despertar, sendo a sua abdicação sujeita à declaração de fecho pelo S∴S∴H∴L∴. O mesmo se aplica a cada Irmão e Imã que, manifestando comportamentos de abdicação do programa da sua Iniciação, é imediatamente excluído.

1

A Franco Maçonaria do Rito Antigo e Primitivo de Memphis-Misraim é uma associação de homens livres, no sentido esotérico e iniciático do termo, que pretendem elevar espiritualmente a sua consciência no quadro gnósico das Tradições de Mistérios oriundas do Antigo Egipto, imagem do Centro Primordial da nossa Tradição, comprometendo-se a pôr em prática um ideal de Realização Iniciática, sem adormecer nos tropismos da sua vida social e cultural. Essa deve ser a sua Verdadeira Vocação.

2

A Loja —.˙. exorta todos os seus Iniciados à livre Busca do Ser, ao modelo exemplar de Parzival na Cavalaria do Santo Graal, tanto para além das suas contingências históricas modernas como dos condicionamentos religiosos e culturais, presentes e passados.

3

A Franco Maçonaria do Rito Antigo e Primitivo de Memphis-Misraim é alheia a toda e qualquer influência sectária e recusa toda a influência profana e clubística das maçonarias de hoje. Ela encoraja todos os seus membros ao respeito pelo outro, quaisquer que sejam as suas opiniões e diferenças, consciente de que todas as religiões são actualmente emanações temporais degradadas de um Centro Primordial Universal a que cada Irmão deve retornar pelo esforço húbrico de transcender o seu pequeno e tirânico ego, como um Buscador do Ser Último.

4

É dever de todo o Iniciado acordar da sua existência de alienação consensual. Esse esforço para acordar só é alcançado pela «força da espada», como é descrito no Parzival, e não se espere Graça e Salvação alguma de Deus através da perpétua procrastinação da devoção e da perfeição moral.

5

A Loja —.˙. tem como objectivo a transmutação psíquica e espiritual do/a maçon, no sentido de ser feita em função da superação da sua humanidade racional e utilitária, no contexto da Antiga Gnose Hermética das Tradições Greco-Caldaico-Egípcias, Mãe Universal de todas as Tradições subsequentes. Neste sentido, ela visa transmitir através dos Ritos os Impulsos originais da Antiga Tradição Hermética Pagã que conduzem ao Despertar de uma nova Consciência Cósmica e Transpessoal.

6

A praxis Maçónica da Tradição de Memphis-Misraim, tal como é praticada pela Loja —.˙., releva de princípios e preocupações mágico-iniciáticas e, sob o simbolismo da Transmutação da Pedra, é um meio de Realização e Iluminação Físico-Espiritual. Ela é feita através de métodos simbólicos e iniciáticos tradicionais, processos meditativos e rituais, transmitidos não só através da Iniciação, mas também de uma praxis de trabalho transmutatório e ensinamento da sua operatividade, compreendida em função da Tradição Hermética e da Iluminação Individual.

7

A Iniciação é, sob o ponto de vista formal, um Nascimento Virtual. Ela realiza-se no Despertar que simultaneamente une e transcende todas as Dualidades. É dever de todo o/a maçon hermetista fazer um esforço de revulsão do ego no sentido de fazer eclodir o Despertar. Não somos um lugar de entes espiritualmente mortos que se reúnem sob o ornamento de uma loja maçónica apenas para se aliviar da apatia do mundo profano.

8

Para a Loja —.˙. o Processo Iniciático é um perpétuo Solve et Coagula, trabalhando tanto com a mão direita como com a mão esquerda, seguindo o Paradigma do Caminho da Serpente. É necessário que cada Iniciado desça às Profundezas e conheça a sua parte de trevas e a sua parte de luz, irmãs um do outro. O Processo Iniciático abarca tanto a Vida do Corpo como a do Espírito numa Nova Realidade Supra-Individual, superior à vida fragmentada, embotada e adormecida, da existência comum e profana.

9

Na Loja —.˙. cada Iniciado tem o Dever Inalienável de se esforçar por actualizar os Impulsos Iniciáticos recebidos em Iniciação e realizar a Grande Obra de Despertar. Em momento algum deve abdicar deste desiderato e cair no crepúsculo da perpétua procrastinaçao. O Iniciado só tem dever para com o seu Daimon ou Anjo, o Principio Espiritual dentro de cada Iniciado.

10

Na Loja —.˙. a Iniciação Maçónica não é apenas um rito de passagem corporativo disfarçado retoricamente de rito iniciático. Secretamente é um processo de transmutação física e espiritual. Quando aplicado conscientemente na Vida de cada Iniciado, torna-se uma Arte de Transformação Holística e de Despertar.

11

A sua Transmissão advém de uma Corrente Ininterrupta de Procedência Espiritual, horizontal e vertical, que se manifesta na encruzilhada do Rito, como Verdadeiro Fermento de Transmutação física e espiritual, tanto do Corpo como da Alma, necessário à construção da Grande Obra e à criação da Pedra Filosofal.

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Na Loja —.˙. a Iniciação é transmitida por indução taumatúrgica e ritualística, a homens e mulheres com qualificações para serem iniciados/as em Loja Hermética e que desejem Despertar. É Dever de todo o Homem de Desejo trabalhar diariamente para o Despertar. Esta Ordem não reconheçe valor ontológico algum ou mérito metafisico à prática moral, a não ser na perspectiva de uma pura volancia de auto-libertação da matriz do ego. No entanto, todos devem deter incondicionalmente uma reputação perfeita, serem pessoas leais e discretas, dignos em todos os pontos de serem Irmãos, tanto no plano do Ser como do Existir.

13

A praxis desta Loja, tomada no sentido de um lugar onde desce o Logos, visa matar o ego e os seus condicionamentos profanos sob a Metáfora do Desbaste da Pedra Bruta em Pedra Cúbica, reflectindo o processo evolutivo do Cosmos, para que possa iniciar depois o processo de Anabase dos Graus de Cavalaria.

© Gilberto Lascariz & S∴S∴H∴L∴

(Revisão de Melusine de Mattos)

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