Manifesto

7 POSIÇÕES APOCALÍPTICAS SOBRE A INICIAÇÃO NO RITO ANTIGO E PRIMITIVO DE MEMPHIS-MISRAIM

Frater Janus L.
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Ao Zénite do Porto

O Apocalipse é o Fim dos Tempos. Mas de que Tempos? O fim dos tempos aeónicos das religiões abraâmicas do Livro. É o fim da Temporalidade Histórica a que o eu está inconscientemente subordinado e do qual finalmente se liberta pela experiência antinómica do Presente Eterno. Todos os que vivem o Processo Iluminativo da Iniciação conhecem esse epílogo da máscara do ego humano que antecede a Iluminação. Na Tradição esotérica, corresponde à Travessia do Abismo, a Noite Negra da Alma, e a sua exaltação como Iniciado Transfigurado no Pleroma.

Na Tradição Egípcia Antiga era Set quem representava esse papel, desencadeando a reversão e a posterior Iluminação apocalíptica do Iniciado. Set é, como Caim, o assassino e o coveiro do ego. Somos, por isso, Filhos de Set e Hórus, de Heru-Set. Custa-nos reconhecer que o Ser está totalmente ausente da Humanidade e de suas infinitas máscaras egotrópicas. A Humanidade inteira está refém do estado de amnésia e alienação da Existência, tão típica hoje entre os pretensos Iniciados das Maçonarias Profanas. Só é verdadeiramente Livre e Iluminado quem deixou de ser amnésico. Esse é o primeiro passo para o Despertar. O Iniciado é o Inimigo da Amnésia Espiritual.

Os Iniciados sabem que a existência humana comum é privada de dimensão ontológica e o seu trabalho teúrgico-prometeico é soprar dentro dela o verdejamento do Pneuma. Esse evento iniciático é referido como o Reverdecimento da Terra nas lendas germânicas do Graal. Na terminologia esotérica esse estado de torpor espiritual que raia o pesado esquecimento da sua Natureza Fundamental, como vemos contado no Hino da Pérola, é designado como o “Fim dos Tempos”, o chamado Kali Yuga.

Num mundo definido e vivido na total abdicação de se tornar auto-consciente de si mesmo, de vir ao Ser, e de abandono vegetativo às forças deterministas tanto religiosas como culturais, o chamado “Homem sem Qualidades” de Robert Musil, o verdadeiro Iniciado é o Opositor, o Desperto e o Louco Iluminado do “Fim dos Tempos”. Todos vivem com os olhos vendados no simulacro desta realidade consensual chamada a Grande Amnésia e Alienação da Existência.

Neste sentido as posições que serão aqui assumidas sobre várias vertentes da Iniciação Franco-Maçónica e do seu modus operandi, tal como vigora na nossa Linhagem Menfítico-Misraímica, é um desafio frontal ao Despertar dirigido a um determinado tipo de ser humano: aquele que está na franja da condição existencial do psíquico e do pneumático, para usar uma expressão gnóstica valentiniana.

Todas as Maçonarias Profanas, sejam elas de tipo religioso ou partidário, todas as Maçonarias Apócrifas, como lhes chamava Martinez de Pasqually, seja do tipo clube social ou de entretenimento intelectual, com suas cumplicidades profanas de negócio e interferência política, são reflexos cancerígenos, metástases espirituais, daquilo que constitui a essência mágico-iniciática da Franco-Maçonaria. O nosso Pai é Cagliostro. Rejeitamo-las, como Cagliostro e muitos outros o fizeram antes de nós, como entulho pseudo-iniciático.

Somos uma estrutura esotérica Tradicional, de espírito franco-maçónico e carácter Hermético e Teúrgico, livre do lastro definhante do Cristianismo e do sebo parasitário dos Humanismos, Prometeica e não-denominacional, interessada apenas em potenciais Iniciados que tragam uma personalidade totalmente livre de todas as alienações políticas e culturais da época em que vivemos e desejam atingir um estado meta-humano de consciência cósmica (graus 4 a 33) e supra-individual (graus 34 a 90). Esses são os nossos Irmãos, os verdadeiros Filhos do Fogo.

© Gilberto Lascariz & S∴S∴H∴L∴

(Revisão de Melusine de Mattos)

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(cont.)

Parte 1 – DEUS E O HOMEM